esses dias finais de lisboa foram muito corridos por causa dos dois concertos q fizemos, tanto que nem mantivemos o ritmo atualizante do site
e os shows foram ambos muito fixe, como se diz, cheios de gente aberta e interessada nos nossos sons ficamos muito felizes com a receptividade!
agora acabamos de chegar em bologna, tocaremos hoje mais tarde
mas em nome da nostalgia precoce de lisboa e toda a malta da lazy crow, a casa que nos recebeu, segue o pseudo-fadinho in progress que apresentei ontem no tejo aos amigos, (baseado em personagens reais)
abrazz, e atè breve.
luiz gabriel
--
O papa, o cão, a alfama
nas ruas melancólicas d´alfama o sol raiou ao som da voz de deus é bento que por mil alto-falantes abençoa a multidão em português os telemóveis se congestionaram e só se fala disso na tevê o horário das novelas brasileiras deu lugar à voz de deus em português
e as ruas melancólicas d´alfama ecoando a salvação e a força religiosa dos humanos a vibrar nos animais
pois é que havia um cão vagando por ali como em todos os dias de semana, por ali descrente dos humanos, criticava, silencioso, todo aquele ritual
e vago em pensamentos, mirando a multidão ciente da específica visão do seu lugar de espécie filosófica distinta dos humanos, desdenhante, pôs-se a rir
(mas em respeito ao respeitoso trato entre as espécies resolveu silenciar)
desceu as escadinhas juntou-se à multidão até ganhou pedaços de presunto dos fiéis silencioso e vago, prosseguiu, ateu convicto, nas ruas melancólicas d´alfama andou intacto enquanto a multidão enlouquecia em pleno pranto à voz de deus em português
nas ruas melancólicas d´alfama
o sol raiou ao som da voz de deus
é bento que por mil alto-falantes abençoa a multidão
em português
os telemóveis se congestionaram
e só se fala disso na tevê
o horário das novelas brasileiras deu lugar à voz de deus
em português
e as ruas melancólicas d´alfama ecoando a salvação
e a força religiosa dos humanos a vibrar nos animais
pois é que havia um cão
vagando por ali
como em todos os dias de semana, por ali
descrente dos humanos, criticava, silencioso, todo aquele ritual
e vago em pensamentos,
mirando a multidão
ciente da específica visão do seu lugar
de espécie filosófica distinta dos humanos, desdenhante, pôs-se a rir
(mas em respeito ao respeitoso trato entre as espécies resolveu silenciar)
desceu as escadinhas
juntou-se à multidão
até ganhou pedaços de presunto dos fiéis
silencioso e vago, prosseguiu, ateu convicto,
nas ruas melancólicas d´alfama andou intacto
enquanto a multidão enlouquecia em pleno pranto à voz de deus em português
A língua é outra, mas a mesma; há momentos de incomunicabilidade plena, outros de êxtase lusófono absurdado. Ontem tocamos informalmente com uns gajos no Tejo Bar, conhecemos mais de perto alguns fados. São objetos culturais estranhos, altamente ritualísticos, pomposos, belamente melancólicos.
Na mercearia do Manuel da Fonseca conhecemos a Dona Maria da Glória, essa simpática velhinha da foto.
Alguns sons e contatos iniciais com a paisagem dos sotaques lisboetas estão aqui para os que quiserem ouvir. Um beijo, e até breve.
ao diário polifônico, nota número um: nove horas não muito confortáveis no avião-subwoofer e, de ouvidos estufados, aterrissamos: cá chegamos um pedaço da trupe a Lisboa. sobrevividos às filas e às esperas e somos acolhidos numa casa de "malta", com gente espalhada e paredes belamente coloridas de rabiscos. gente bacana, sotaque musical, alegria familiar. breve mais rastros, possivelmente em formato multimídia. um beijo.
alô astronave polifônica, é com alegria e ainda algum não-acostumamento que anunciamos o que já não deve ser novidade a alguns: é que aprovamos um pedido de passagens no MinC e estamos de malas prontas pra dar um rolê no Velho Mundo! rumamos ao reecontro com Maopode, integrante transcontinental cujo atual paradeiro cosmicamente coincide com a cidade do festival que nos enviou a carta convite - Bologna. a primeira parada, porém, é Lisboa, terra ancestral da poesia dessa língua, onde por ora temos uma apresentação marcada no Crew Hassam no dia 11. a ser continuado… cambio breve.
Tô Ouvindo #28 - TOTO BISSAINTHE – POR QUE NÃO CONHECI ANTES?
Certa vez, fiz um trabalho com uma cantora e professora haitiana, que dizia que nos cantos tradicionais existia uma “vibração” inerente a palavra e ao som. Sem falar que, em cada intenção, estavam guardados os elementos necessários para a transformação da presença e a “justificativa” para o ato de se fazer música.
As palavras dessa professora me vieram em um momento, em que me havia sido apresentado o som, de uma das artistas mais completas ou complexas que já ouvi: Toto Bissainthe.
Tô Ouvindo #27 - Um lobo atroz perdido entre duendes no edredom.
Alguns podem considerá-lo um compositor barango de baladas de novela; outras, apaixonadas,alguém que tem o dom tocar o coração das pessoas através de seu dom romântico; são muitas outras as impressões acerca deste medalhão. Para mim, uma das mais belas vozes que já ouvi, um cancionista com dicção pra lá de convincente, mas em alguns momentos sinto no seu texto o que se pode considerar de mais nonsense na nossa MPB. Falo de Djavan, cuja música, nunca em sua totalidade, não cessa de aparecer em minhas apreciações musicais. O artista tem uma obra vasta, dotada de requintes e vai e vens, estou longe de conhecê-la integralmente. Como outros compositores consagrados, Djavan é frequentemente conhecido por uma dúzia de músicas que tocada em demasia pelos veículos de mídia de massa, principalmente através das telenovelas. Se hoje há quem defenda um gênero específico para a música de novela, estes críticos devem a sua classificação ao trabalho de Djavan. O amor, fato social total de suas composições, não cansa de ser representado em romances, em novelas, em canções. Mas não é apenas no gênero novelístico que o nosso astro assina sua patente.