Insensatez coletiva no Festival Outro Rock

Taí o registro do encerramento do Festival Outro Rock 2009, que lotou a Praça da Savassi nos dias 3 e 4 de outubro. A última música do festival foi Insensatez (a mulher que fez), levando a galera à insensatez coletiva.

Teve bão. E até o ano que vem!

 

 

imagens: bernard machado, mauricio rezende e priscila amoni | edição: luisa rabello 

 
Tô Ouvindo #11 - 1+1...

Pois, que tem músicas que poderiam ser mais ouvidas e reverberadas. E tem filmes que poderiam ser mais vistos e reverberados. E talvez tenha um jeito de juntar isso, 1+1. Daí a gente podia ver - e ouvir - um trecho do momento de criação de Sympathy for the Devil, na direção do Godard.


Trecho de One Plus One / Sympathy for the Devil (1968), de Jean-Luc Godard

Esse é um lado do filme. É um fragmento. Convenhamos que não estamos numa sala de cinema propriamente, mas numa coluna rápida, para ser consumida rapidamente, apesar do próprio filme e sua abordagem crítica do capitalismo e da sociedade de consumo. Porque todos os discursos ideológicos, os romances policiais, as revistas pornográficas, e também o filme de Godard, e a canção dos Stones se amontoam enquanto objetos de consumo (pop). O lugar é problemático nesse caso porque, para existirem e se propagarem, valem-se de mecanismos que constatam e criticam. O filme, nesse sentido flerta com o diabo, e o que intriga é a natureza desse jogo. Ele observa, reporta e crítica o sistema, sem sair de dentro dele; está em choque com a máquina, mas se vale de suas engrenagens para se fazer existir.
Estamos numa coluna rápida, para ser consumida rapidamente. Fica o trecho como mais um teaser na disputa por atenção na enxurada de bits desse mundo aqui.
1+1. Se o flerte garante o acesso à grande indústria fonográfica e à grande máquina cinematográfica que deslizam uma pela outra, se perscrutando num momento de criação, podemos ver e ouvir algo bem diferente num outro momento, no corpo-a-corpo de um show, no auge de seu vigor físico. É 1999 e não mais 1968. Ian Mackaye e Guy Picciotto nas guitarras e vocais, Joe Lally no baixo, Brendan Canty na bateria e Jem Cohen na câmera.



Trecho de Instrument (1999), de Jem Cohen

A câmera e o espectador integrados quase como parte da banda, sujeitos ao groove e aos acidentes de percurso. Sem grandes aparatos cinematográficos, sem grandes ostensividades, o contato é franco, físico, direto. É um outro momento, o evento tem outra dimensão, o vídeo e a música fazem-se existir de outra forma. A câmera respira junto, o espectador é colocado no palco para integrar-se vivamente à cena, mais que a pensar e observar, à distância de uma grua, um tripé ou um carrinho de travelling. À margem das grandes máquinas (do cinema e da música), não é pela distinção e pelo choque que se produz o contato, mas pela integração de tudo e de todos, numa ilha. Shut the Door.
A produção é independente, instaura seu espaço, cria o próprio ar para respirar e para incendiar, depende dela mesma (I burn a fire to stay cool, I burn myself, I am the fuel). Mas então o som, a palavra e as imagens se propagam num meio endógeno. Tudo numa balada conjunta, mais que numa posição frente a outra coisa, porque o diálogo é interino comunidade compartilha dessa posição. Fala-se menos e não há tantos elementos a serem confrontados num mesmo palco. A montagem aqui não vai ser um procedimento de pensamento ao aproximar imagens diversas. A aposta é na filmagem, dentro do palco e da cena, e convida a quem quiser para integrar-se. A lei aqui não parece ser maquínica ou matemática (1+1), mas orgânica, biológica: contaminação.

Mauricio

 
dois lados da canção - festival outro rock

festival outro rock - 4 de outubro de 2009
praça da savassi - belo horizonte - mg

imagens: bernard machado, priscila amoni, mauricio rezende
edição: luisa rabello

 
TÔ OUVINDO #10 - WALTER FRANCO

expirei
pirâmides
desmaio
em espirais


Revolver: mover em volta; misturar por agitação; remexer.

Acho que a gente inventa ou reinventa uma época, como se pudesse forjar os nossos próprios anos setenta ou cinquenta.. eu forjei os meus, acreditando num falso bucolismo, entre quartos esfumaçados e vinis espalhados pelo chão. não que isso fosse diferente da adolescência de qualquer mancebo, mas representou pra mim o aprendizado da escuta, da pasmaceira produtiva, da educação sentimental acima de tudo.

 
TÔ OUVINDO #9 - No chão sem o chão

Um dia eu cheguei em casa e tinha um pacote pro Luiz Gabriel de um cara chamado Rômulo Fróes. Era um disco duplo com uma capa muito doida, eu então fui escutar e até hoje eu tô ouvindo demais esse disco. Chama “No chão sem o chão” e é dividido em duas sessões: “Cala a boca já morreu” e “Saiba ficar quieto”. Eu comecei a ouvir a primeira sessão, na verdade não gostei de cara, então passei pra segunda sessão e viciei completamente. Aí, depois de um tempo ouvindo todo dia a segunda sessão eu tomei coragem pra voltar e ouvir de novo, aí eu gostei demais.

 
quanta insensatez

regra número 1: "não temerás o ridículo"

[gravada numa noite fria de 2008, durante a avenida getúlio vargas, savassi, belo horizonte, mg.]

 
Tô ouvindo #8

Bem... ãnh. Comecei a ouvir música de fato aos 16, pois até então não tive um berço musical na minha família. Como todo adolescente que começa a perseguir o caminho da verdade através do roquenrou. Meu contato direto, não só como simples ouvinte, mas como atuante na área, foi aos 17, quando passei a frequentar o que se pode dizer a primeira e maior influência artística da minha vida, o Centro Cultural Tambolelê. A princípio vou deixar algumas de minhas influenzas passadas e atuantes.

 
blues via satélite

graveola incorporation orgulhosamente presents:
"blues via satélite"

(primeira parceria jinglefônica luizga - maopode)
premiere intergaláctica no festival garimpo, confira o video:

 

e, aos interessados em works-in-progress,
eis aqui uma versão lixosa da composição pré-arranjo, gravada num melancólico fim de domingo:

 
TÔ OUVINDO #7 - Memória Sonora...

Não fosse por um aparelho de som largado num canto qualquer da sala e mais uma meia dúzia de LPs empilhados embaixo dele, diria que, de berço, não tive influência musical alguma. Nada fora do normal para uma família de Ibirité, àquela época ainda uma pequena roça, vivendo nos limites da cidadela. Mas entre os poucos discos ali colocados lembro-me bem de um, com um grupo de homens de cabelos lisos bem recortados, que me parecia um conjunto de “índios cósmicos”. Uma mistura da imagem idílica do índio brasileiro e algum personagem da série Jornada nas Estrelas. Era um álbum dos Beatles da época de solteiro do papai. Junto dele sempre se encontrava um LP da Xuxa, de propriedade da minha então irmã mais nova, e o disco da Turma do Balão Mágico. Mistura inusitada não?

 
TÔ OUVINDO #6 - UMA PARA O CAMINHO

Faz um ano que ouvi JP Simões pela primeira vez. Não à toa o tempo verbal desta coluna me leva à escolhê-lo: desde então o ouço incansavelmente, sem qualquer sinal de desencanto à vista. A sedutora estranheza de seu sotaque lusitano me chegou primeiro pelas canções do Quinteto Tati, sexteto encabeçado por JP Simões e Sérgio Costa, e cujo nome homenageia o cineasta Jacques Tati, outro de meus preferidos.

 
«InícioAnterior56789PróximoFim»

download?

   download_cd2
lista_email
Receba convites para os shows e outras novidades exclusivas.

Nome:

E-mail:

 to_ouvindo
Coluna semanal/quinzenal/esporádica de inspirações musicais. Confira os últimos:

Videos Graveola



Get the Flash Player to see this player.

Support: Simple Video Flash Player Module

graveola recomenda

english

Agenda

novidades

CDs à venda para o Brasil!
O site a música que vem de minas vende e entrega o cd do graveola para todo o território Brasileiro. [aqui]
 
CDs à venda em Belo Horizonte

Os CDs do graveola agora podem ser encontrados na Livraria Quixote da Savassi e do Campus UFMG Pampulha.

Leia mais...  
guestbook
deixe um recadinho no livro de visitas! [aqui]

Flickr