TÔ OUVINDO #16 - O tempo passa, o mundo gira, o mundo é uma bola.
Escrito por Luiz Gabriel
Seg, 23 de Novembro de 2009 10:45
Tudo bem que o “brega” já era nosso velho conhecido.... Há algum tempo atrás falávamos de uma música pós-Roberto Carlos, que com arranjos simples de baixo, bateria e guitarras, teclados e violinos arrebatou toda a periferia do país nos anos 70. Uma música que se por um lado fazia uma clara referência ao rock internacional, por outro guardava uma série de temas ordinários, sotaques, adaptações, e principalmente uma incapacidade absolutamente criativa de se copiar.
Ivan Peter - Tchau amor
Mistura do rock jovem guarda com boleros paraguaios, rumbas, músicas tradicionais locais, e tantos outros estilos, o brega se espalhou pelo país sempre num cruzamento nada hierárquico de um sem número de referências. Original das periferias dos grandes centros urbanos ele se alastrou rapidamente pelos interiores do Brasil, de norte a sul, em um sucesso que talvez se explique pelo fato do Brega ter sido encarado como uma fórmula aberta e adaptativa de música brasileira. O melhor dos exemplos:
Vieira e Seu Conjunto – Você vai chorar (1978)
Para uma certa classe média urbana, reacionária e/ou romântica demais, falar da música brega era lembrar de um angustiante subdesenvolvimento brasileiro, ou ainda, era o mesmo que dizer-lhes sobre o tremendo “mau gosto” das classes populares. Universitária demais, acreditava ainda que a “música popular” brasileira se resumia à um sonho folclórico feito de tambores, pandeiros e verde amarelismos de toda ordem. Mas o mundo gira, meus caros...
As regiões historicamente periféricas no país vêm hoje provar que o brega desdobrou-se em uma imensa força cultural. No Pará hoje as mais diversas soluções musicais, todas precedidas de alcunhas modernas e tecnológicas tais como o TECNO BREGA, o BREGA MELODY, o ELETRO MELODY, vem provar que regiões distantes dos centros de influência e massificação cultural transformaram o atraso em um dado absolutamente novo. E em todos os aspectos: da revolução do mercado em direção à uma cultura mais livre, à uma nova estética eletrônica:
Com certeza a música mais interessante feita nesse país vem hoje do norte do país, e não é de hoje que Belém do Pará talez seja o resumo mais incrível disso. O que tô ouvindo começa em 1978 com lançamento do primeiro disco do reinventor da guitarra no Brasil, o Mestre Vieira de “Quebrada das Lambas” e chega até as coletâneas de Tecno Brega do Super Vetron, o “Xodozão do Pará”. É um novo mundo que vem por aí, é bom se preparar. Para se entender de uma vez por todas o Brega do Pará assistam: Brega S.A - Gustavo Godinho e Vladimir Cunha (Download na íntegra: http://www.amazonimagebank.com/bregasa/brega_sa_xvid_2009.avi )
Ou escutem um pouco:
Red Labe ou Ice? – Aviões do Forró (Super Vetron Remix)
Meu Novo Namorado - Mistura do Calypso (Super Vetron Remix)
Galera da Golada – Viviane Batidão (Super Vetron Remix)