| Tô Ouvindo #28 - TOTO BISSAINTHE – POR QUE NÃO CONHECI ANTES? |
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Certa vez, fiz um trabalho com uma cantora e professora haitiana, que dizia que nos cantos tradicionais existia uma “vibração” inerente a palavra e ao som. Sem falar que, em cada intenção, estavam guardados os elementos necessários para a transformação da presença e a “justificativa” para o ato de se fazer música.
As palavras dessa professora me vieram em um momento, em que me havia sido apresentado o som, de uma das artistas mais completas ou complexas que já ouvi: Toto Bissainthe.
Quem escuta Toto pela primeira vez se surpreende por sua contemporaneidade. Reconhecida como atriz, cantora e compositora, suas canções mesclam o vodu tradicional haitiano com arranjos sofisticados, que incluem desde ruídos, até contrabaixo. Prima por uma construção musical que se estrutura aos poucos. A entrada dos instrumentos surge como em um rito: no momento propício e com o merecido reconhecimento de que cada elemento afeta a presença de quem faz e de quem ouve.
Liberto, delicado e extravagante, o canto dessa artista provoca movimento. Impossível ficarmos indiferentes ao se perceber um sussurro e, de repente, termos à atenção atrelada aos seus gritos e ritmos fundamentais à temperatura do arranjo.
Pode-se perceber que, suas composições têm o deleite de provocar o simples. “La mise pa douce”, para citar, conduz-se de forma tão clara e cuidadosa, que permite pequenos conflitos, gerando dinâmica e vitalidade. Então, o corpo é entregue aos impulsos, os olhos cerrados, os lábios tentando reproduzir os sons e os ouvidos amarrados, como em um feitiço. Seria um transe?
Toto é, sem dúvida, fundamental. Vibra em cada intenção e destina um som original a cada música realizada. Ouvi-la, nos faz (re) pensar o essencial.
Conhecer o trabalho dessa artista é sempre uma oportunidade. Por isso aconselho a todos a quem eu a apresento: Escutem essa mulher!
Amanda Prates (cantora e compositora do grupo GIRAU)
para ouvir amanda: http://www.myspace.com/grupogirau
para ouvir toto:
e mais
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